Joia 2012: ‘nascido’ no Olímpico, Biteco salta de tiete a esperança

Joia 2012: ‘nascido’ no Olímpico, Biteco salta de tiete a esperança

Se você fosse ao Olímpico no dia 23 de novembro, veria um menino inquieto, celular à mão, ansioso para a porta da sala do departamento de futebol se abrir. Queria uma foto com Kleber, que acabara de assinar o contrato com o Grêmio. Esse era o passatempo de Guilherme Bitencourt enquanto o Gre-Nal de juniores em que atuaria não começava naquela tarde. Desde o último dia 18, no entanto, o garoto passou de fã a colega do Gladiador. Aos 17 anos, recebeu o comunicado de que subirá a serra gaúcha para a pré-temporada do grupo profissional em janeiro. Mas esqueça o seu nome. Os corredores do Olímpico só o conhecem por Biteco.

Até poucos meses, pouco se falava nesse meia-esquerda de drible fácil, chute potente e apelido grudento. Sua trajetória, no entanto, referenda a impressão de talento precoce. Subiu aos juniores na metade do ano e já emplacou uma competição estadual profissional no time B do Grêmio – a Copa Laci Ughini. Ali, despontou para os menos atentos às categorias da base.

Os elogios públicos do presidente Paulo Odone e a convocação ao elenco principal deixam Biteco entusiasmado, mas jamais surpreso. Segundo o garoto, medir força com os profissionais era uma meta firmada há seis meses.

- Era uma meta minha. Coloquei isso na cabeça – conta. – Vi o caso do Leandro, que era meu colega nos juvenis, subir direto para os profissionais. Vi que havia chance para os garotos. Me motivei com isso.

A sua relação com o Grêmio vai muito além do sonho de atuar no time principal. Não é exagero nem clichê afirmar que Biteco tem uma vida de dedicação ao clube. Praticamente, nasceu por lá. Perambula pelos corredores do Olímpico desde os seis anos.

De relacionamento fácil, conhece cada funcionário pelo nome. Passa de porta em porta sem precisar se identificar. O sorriso está sempre armado no semblante, pronto a se abrir. Vive mais tempo ali, respirando futebol entre o campo e os vestiários, do que em seu apartamento no bairro Menino Deus, bem próximo ao estádio, onde reserva tempo para se esticar no sofá e curtir um pagode, sossegado. Mora com os pais e dois irmãos mais novos, que também atuam na base do Grêmio.

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