Documentos sigilosos americanos escritos por autoridades na prisão de Guantánamo com base nos interrogatórios dos presos revelam novos detalhes da fuga do líder máximo da Al-Qaeda, o homem mais procurado da Terra, em 2001. Cercado pelas forças americanas e britânicas na região de Tora Bora, no Afeganistão, Osama bin Laden escapou em dezembro daquele ano, meses depois dos atentados do 11 de Setembro, com a ajuda de um senhor da guerra local.
Os papéis foram obtidos pelo site WikiLeaks, responsável por revelar mais de 250 mil documentos sigilosos do governo dos EUA no fim do ano passado, e por jornais como o americano The New York Times e o espanhol El País. Em um documento com data de agosto de 2007, um detento chamado Harun Shirzad al-Afghani alega que Bin Laden escapou à operação no entorno de seu refúgio nas montanhas com a ajuda de um comandante paquistanês local e um líder religioso chamado Maulawi Nur Muhammad. Segundo o jornal The Guardian, é provável que o homem seja um líder de baixo escalão morto por um atirador em 2010.
O relatório informa que Muhammad cedeu entre 40 e 50 combatentes para escoltar Bin Laden e seu braço direito, Ayman al-Zawahiri, para algum local seguro após uma reunião com Abu Turab, um comandante da Al-Qaeda, em meados de dezembro de 2001. Bin Laden e Al-Zawahiri viajaram três meses sem parar pelo Afeganistão depois do 11 de Setembro.
Documentos não abordam prática de torturas
Os 779 documentos, produzidos entre fevereiro de 2002 e janeiro de 2009, mostram com detalhes inéditos até onde foi a arbitrariedade no trato com suspeitos de terrorismo. Também revelam os manuais usados pela CIA, a agência de inteligência americana, e outras agências dos EUA para classificar, interrogar e decidir o destino dos prisioneiros, com diretrizes que tornavam quase impossível a um inocente mostrar que não era extremista. Entre os detentos “perigosos” estavam um garoto de 14 anos vítima de sequestro, um taxista e um homem de 89 anos com demência senil.
Os papéis mencionam somente “duras técnicas de interrogatório”, sem abordar a tortura denunciada por ONGs, organismos internacionais e ex-detentos. A prisão de Guantánamo foi criada em janeiro de 2002 para abrigar detentos da “guerra ao terror’’ lançada pelo então presidente americano, George W. Bush. Ao assumir, o presidente Barack Obama prometeu fechar a prisão em até um ano. Mas, devido às fortes resistências nos EUA, o plano até agora não saiu do papel.




















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